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Douglas Calado
VERSEJANDO


Quase's
Os quase sempre chegam batendo os pés na entrada. Empurram a porta, se encostam. Pedem abrigo, ocupam um canto. E sem prometer nada, insinuam um "querer". E quando você percebe, já está arrumando espaço até nas feridas que surraram seu coração, para alguém que nunca disse que ficaria. Há o quase que acontece inteiro em um único dia. Os olhos se reconhecem, as mãos se encontram, as bocas se permitem como se o mundo tivesse aberto uma fresta só para vocês. E então acaba. Feito
Douglas Calado
20 de fev.2 min de leitura


Quando você chegar...
Quando você chegar, não bata na porta... entre. Algumas presenças não pedem licença, apenas fluem feito rio cheio e sentam no centro do peito. Tenha coragem. Quando você chegar, talvez eu esteja distraído com ausências antigas, varrendo memórias que insistem em se comportar como eternas. Não tenha medo da minha desconstrução. Quando você chegar, traga fogo nos olhos e calma nas mãos. Eu me apaixono pelo impulso, mas só permaneço onde cabe alma. Quando você chegar, chegue com
Douglas Calado
19 de fev.2 min de leitura


Dois Corpos
Eles não sabiam o nome um do outro, mas o corpo não exige apresentação. Foi encontro de ímãs, pele puxando pele, respiração tropeçando no ar. O quarto virou constelação baixa, onde bocas não falavam, descobriam. Se abriam em direção do outro sem receios. Um deles desceu como quem procurava um segredo guardado, como quem encontra fonte no deserto e bebe devagar para não acordar o mundo. A boca virou abrigo, língua, quente, suspiro, resposta. O outro arqueava o tempo com as mão
Douglas Calado
19 de fev.1 min de leitura
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