Quando você chegar...
- Douglas Calado
- 19 de fev.
- 2 min de leitura

Quando você chegar,
não bata na porta... entre.
Algumas presenças não pedem licença,
apenas fluem feito rio cheio
e sentam no centro do peito.
Tenha coragem.
Quando você chegar,
talvez eu esteja distraído
com ausências antigas,
varrendo memórias que insistem
em se comportar como eternas.
Não tenha medo da minha desconstrução.
Quando você chegar,
traga fogo nos olhos
e calma nas mãos.
Eu me apaixono pelo impulso,
mas só permaneço onde cabe alma.
Quando você chegar,
chegue com palavra viva.
Meu desejo começa na mente,
e se espalha pela pele.
Converse comigo como quem acende fósforo,
o caminho surge quando a luz nasce de dentro.
Não venha morno,
meu coração não suporta andar em escuros.
Ou me atravesse ou me deixe intacto.
Há muito aprendi a diferenciar passagem de destino.
Quando você chegar,
chegue como quem não tem medo
de ser começo de alguém cansado de finais.
Chegue com esse silêncio confortável
de quem já me reconhece
sem precisar perguntar o nome.
Quando você chegar,
traga seus abismos também.
Não confio em quem vem inteiro demais.
Prefiro as pessoas que carregam rachaduras,
para que a luz atravesse sem medo.
Talvez eu finja calma.
Talvez eu disfarce o impacto.
Mas por dentro haverá um pequeno terremoto
derrubando certezas
e rearrumando o que ainda nem vivemos.
Quando você chegar,
não prometa eternidades,
promessas longas parecem querer mandar no tempo.
Fique apenas o suficiente
para que o instante se torne memorável.
Seja um mês, um ano... ou uma vida. Mas não prometa.
E se um dia precisar partir, espero que não minta...
e que seja depois de ter deixado
seu riso espalhado pela casa do meu corpo,
como quem acende luzes
em todos os cômodos escuros,
para que sigamos limpos de dores.
Mas se puder…
quando você chegar,
chegue para ficar um pouco além do fim.
Douglas Calado
19 de Fevereiro de 2026
Maceió/AL



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