top of page
Buscar

Dois Corpos

  • Foto do escritor: Douglas Calado
    Douglas Calado
  • 19 de fev.
  • 1 min de leitura

Eles não sabiam o nome um do outro,

mas o corpo não exige apresentação.


Foi encontro de ímãs,

pele puxando pele,

respiração tropeçando no ar.


O quarto virou constelação baixa,

onde bocas não falavam, descobriam.

Se abriam em direção do outro sem receios.


Um deles desceu como quem procurava um segredo guardado,

como quem encontra fonte no deserto

e bebe devagar para não acordar o mundo.

A boca virou abrigo, língua, quente, suspiro, resposta.


O outro arqueava o tempo com as mãos nos lençóis,

como se cada toque fosse verso quente

sendo lido em voz íntima.


Havia entrega sem roteiro.

Um guiava, o outro recebia e os papéis trocavam como maré.

O desejo não era pressa, era profundidade.

O falo erguido era farol aceso na noite do quarto,

e a devoção vinha em gestos,

em lábios que celebravam,

em silêncio quebrado por sons que não existem fora da carne.


Quando finalmente se encontraram por inteiro,

foi como encaixe antigo, porta e chave inventadas no mesmo sonho.

E no auge quando o corpo não coube mais dentro de si

um se derramou no outro como mel quente entregue em cálice aberto,

como ouro líquido guardado em templo vivo.


Depois, ficaram ali, não como estranhos

mas como sobreviventes de um incêndio doce.

Uma única noite.

Um reconhecimento completo.

Dois homens

e a memória ardendo na pele

como promessa que não precisa voltar para ser eterna.


Douglas Calado

Maceió/AL

18 de Fevereiro de 2026

 
 
 

Comentários


  • X
  • Facebook
  • LinkedIn
  • Instagram
bottom of page