Cárcere
- Douglas Calado
- 22 de set.
- 1 min de leitura

Te esperei
mesmo sabendo que tu não virias,
me entreguei
como quem oferece a própria alma
a quem só queria companhia.
Fiz de mim
a prisão mais confortável que você já teve,
e por fim me vi pedindo migalhas
enquanto te doava banquetes.
Um sinal bastava pra reacender minha esperança cansada,
mas afinal você só me olhava o suficiente
pra manter a porta trancada.
Eu sorri,
mesmo sabendo que a sua bondade era racionada,
e vivi de goles pequenos de afeto,
enquanto você bebia do meu amor até a última gota.
Fui abrigo de um coração que não queria lar,
apenas um quintal murado,
e meu perigo foi confundir teu cuidado mínimo com amor,
quando era só controle disfarçado.
Teu olhar pedia que eu ficasse calada,
mesmo quando doía,
e me calar foi o preço que paguei
pra não ser deixada só no meio da tua ausência fria.
Hoje sou feita inteira da cela que você construiu com as minhas próprias mãos,
trancanda num cativo sem janelas
sem luz, só sombras...
mas vou quebrar tijolo por tijolo,
até que esse cárcere seja só lembrança
de algo que eu nunca deveria ter levantado.
Douglas Calado
05 de Setembro de 2025
Maceió/AL



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